terça-feira, 14 de abril de 2009

O viajante Mike Brodie









Aos 18, Mike Brodie trocou os carpetes pelo asfalto e saiu de casa. Quando fez isso, ganhou uma câmera polaroid de uma amiga. Alguns anos depois, por ter feito isso, ganhou o 2008 Baum Award for Emerging American Photographers.
Seus temas são simples: a estrada e as pessoas que vivem nela. Mendigos, ciganos e mochileiros com rostos sujos, violões e pouca bagagem.
Se ele mesmo se transformou em um desses viajantes eu não sei dizer, mas o trabalho dele é sincero da forma como um road movie dificilmente consegue ser.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A linguagem fotográfica de Beto Rocha deu pano abessa para a manga

O mundo da rede é mesmo enriquecedor, sabendo garimpar então, isso tudo se torna algo muito além do que podemos imaginar.Leiam abaixo o que a divulgação de uma belíssima exposição foi capaz de provocar em cabeças pensantes do meio fotográfico.Transitou entre edição nos tempos aureos do analógico, história da fotografia brasiliense chegando até o flickr.Se esbaldem com a informatite garimpada.

Exposição Fotográfica “SQSQN a cidade dos meus olhos” de Beto Rocha
na Livraria Cultura-Brasília dia 3 a 30 de abril a partir das 19hs



Fotos © Beto Rocha

O trabalho traz um olhar dialeticamente construído entre luzes e sombras, entre quadras, nas asas de um plano piloto. São traços urbanos, por demais humanos, de uma cidade jardim na pressa moderna de corações exaltados. Monumentos humanizados, espaços setorizados constituem uma fotografia na linha do horizonte, que se perde no infinito do olhar distraído, cruzando a cidade de norte a sul, de sol a céu aberto para o cerrado. Um olhar que experimenta a existência, antes mesmo da essência do existir, como um flâneur a contemplar o moto contínuo da vida na cidade. 20 fotografias de Brasília, levando em consideração o cotidiano mais banal da cidade, nas 4 escalas criadas pelo arquiteto (escalas do monumental – poder -, residencial, gregária e bucólica), onde a imagem é tomada pela luz que determina sua forma, sua concepção, através do contraste entre luzes e sombras, entre cores. Como um Impressionista.

1. Rinaldo Morelli | March 31st, 2009 | 2:37 pm | :

Beto, é um gigantesco privilégio, e responsabilidade, participar da edição de seu trabalho.
As vezes perco a objetividade entre babas que escorrem diante de algumas imagens.
Ainda faremos um livro que faça jus ao seu olhar de cronista.
Poucas imagens pretendem ser sínteses, mas seu trabalho não pode ser resumido.

abcs e parabéns
do amigo e companheiro de muita aventuras

Rinaldo
2. Adriana Paiva | March 31st, 2009 | 3:48 pm | :

Rinaldo, você é curador da expo do Beto Rocha ? Isso ? Conte mais .
Você, aliás, triscou num assunto que muito me interessa.
Lembra do que a Ana Regina Nogueira conta ao Joaquim Paiva em “Olhares Refletidos” ?
Recordo, amiúde , de uma passagem dessas entrevistas: quando ela fala sobre editar o próprio trabalho. De como o olhar dela mantinha-se contaminado pelo recém-registrado e de como ela via ser necessário esquecer os negativos no fundo da gaveta para , mais tarde, experiência “arrefecida” , ela conseguir editar o próprio material.
Todo esse preâmbulo para dizer: padeço da mesma dificuldade de Ana Regina ; não sei editar meu trabalho fotográfico. E, já pedindo perdão, se soar cabotino, sou muito mais exitosa editando o trabalho alheio .
Bem, deixo as reflexões para discussão.

Beijos
3. Adriana Paiva | March 31st, 2009 | 4:02 pm | :

Rinaldo, faltou perguntar: Você sente que “flui” melhor editando o seu trabalho fotográfico ou o trabalho de outros ?
Sua percepção é compartilhada por aqueles que você já “editou” ?
Eu creio nunca ter decepcionado os fotógrafos cujo trabalho eu tenha “editado” - termo que aplico em amplo sentido, claro, já que nunca atuei, profissionalmente, como ‘editora de fotografia’ .

Posso estender a pergunta a você, Claudix ? O que me diz ? Tem suficiente “sangue frio” , distanciamento bastante, para se auto-editar ?

Bjs
4. Wank Carmo | March 31st, 2009 | 6:44 pm | :

Concordo em parte com a amiga Adriana. Não vejo necessidade de deixar os originais por muito tempo na gaveta, para depois sacar o melhor do conjunto, mas vejo como necessidade, visitar os negativos sobre a mesa de luz, por várias vezes, num momento em que as emoções, aquela animação inicial passou. Friamente, para poder analisar melhor o que vai ser mostrado e o que vai para o lixo. Quando fazemos uma seleção radical, desimpregnando a vaidade, do nosso ego, nos sentimos na obrigação de buscar mais e mais, algo que nos emocione realmente. Uma editora de uma agência estrangeira, que andou perambulando por São Paulo à cata de fotografias fenomenais produzidas no Brasil, foi muito eficaz e rigorosa nesse ponto, quando afirmou que no seu alforje só entraria a fotografia que lhe tirasse a exepressão “Uau!” As duas fotos de Beto Rocha não tiram o folego, mas são dignas de irem para qualquer parede. “UAU!”

O trabalho que observo acima, é fruto desta garimpagem cuidadosa, onde a procupação com a qualidade falou mais alto e isto servirá de combustível nao somente para Beto, mas a todos que curtem com a alma, esses fragmentos de vida.
5. Wank Carmo | March 31st, 2009 | 6:48 pm | :

Mais: aí está, a prova da força do instante decisivo, sem “apelações contemporâneas…”
6. Adriana Paiva | March 31st, 2009 | 7:05 pm | :

Boa noite, Wank ! Obrigada por opinar .
Bem, como hoje tenho usado bastante esporadicamente minhas analógicas “Nikon” ( revelando, assim, poucos filmes) , o que tenho achado útil fazer , quando não há deadline a observar, é baixar as fotos em meu notebook, classificá-las e esquecer delas por um tempo . Deixar mesmo a experiência esfriar nos olhos e na memória. Ajuda um bocado .
7. Wank Carmo | March 31st, 2009 | 7:34 pm | :

Boa noite, Adriana!
É sempre uma honra trocar idéias nesta maloca cibernética. Aprende-se. Voce dá um descanso à mente. É mais ou menos o que falei anteriormente. Se eu faço uma foto e acho ela o máximo no moneto do click, hoje eu dou um descanso emcocional para ver se realmente aquela foto é tão legal como eu achava. Depois entra o crivo seletivo radical.
8. Rinaldo Morelli | April 1st, 2009 | 7:03 am | :

Adriana, editar é também uma obra autoral. Depositamos nosso olhar no olhar do outro e fazemos um recorte.
Talvez por isso alguns fotógrafos não gostem que outros editem seus trabalhos…
Eu também tenho dificuldade em editar meu trabalho, é uma das coisas que sinto falta dos tempo áureos do grupo Ladrões de Alma. Fazíamos edições em grupo do trabalho de cada um.
Mais do que isso, acho que uma curadoria encontraria vertentes, caminhos e leituras que o autor não tenha percebido.
É sempre muito enriquecedor.
9. Claudio Versiani | April 1st, 2009 | 7:23 am | :

Editar não é fácil, seja de quem for o trabalho. O que é interesante e didático no processo é o aprendizado com o outro. Descobrir o que o fotógrafo queria dizer e se surpreender é sempre prazeroso. Faz muito tempo eu participei de um workshop na Argentina. O grande Abbas era um dos mestres. Ele simplesmente olhava para a foto e dizia: Funciona! Não funciona! Algo parecido com o UAU do Wank.
Eu gosto muito de editar o meu trabalho, sempre. E sempre descobrir que poderia ter feito um pouco melhor e me esforçado um pouco mais, além de me chatear porque depois de velho ainda cometo erros banais, é do jogo.
Um outro olhar sobre as nossas fotos é bem vindo. Mas o que é legal mesmo é participar de uma edição coletiva. No livro Brasil 500 anos passamos 7 dias, 11 editores e milhares de fotos. Inesquecível! Enriquecedor como escreveu Rinaldo. A troca de experiência é fundamental. Por isso mesmo estamos aqui compartilhando o Beto Rocha. E para fechar, eu digo que as duas funcionam muito bem e digo vários Uaus para elas, principalmente para a primeira.
10. Wank Carmo | April 1st, 2009 | 4:41 pm | :

Falou e disse, Claudio. Me amarro numa ajuda. Não tem coisa melhor do que um olhos mais experiente em cima do trabalho da gente. Eu boto no crivo alheio numa boa.
11. Adriana Paiva | April 2nd, 2009 | 9:27 am | :

Claudio, Rinaldo, Wank,
Quero ler seus apartes com calma para responder mais tarde. Hoje, por aqui, estou mais atarefada do que o costumeiro.
Por ora, digo que assino embaixo daquele verso da música de Paulo Tatit e Arnaldo Antunes :
“O seu olhar, seu olhar melhora, melhora o meu” .

Abraços
12. Adriana Paiva | April 2nd, 2009 | 11:52 am | :

Um pedido (com jeito de anúncio):
Preciso, urgentemente, de um novo exemplar de “Olhares Refletidos”, do Joaquim Paiva . O meu (’antiguinho’) , uma edição do final dos anos 80, está perdido em algum lugar, entre minhas coisas guardadas em Sampa.
Compro usado (desde que me possa ser entregue, urgentemente, aqui, no Rio) . Por favor, ver contatos em meu site.

Obrigada
13. Adriana Paiva | April 2nd, 2009 | 12:50 pm | :

Em tempo:
Um convite a que se conheça melhor o trabalho da fotógrafa Ana Regina Nogueira — cujos depoimentos constam no livro de Joaquim Paiva ‘Olhares Refletidos - Diálogo com 25 Fotógrafos Brasileiros ‘ (Editora Ágil / Dazibao - 1989 ) : http://www.anareginanogueira.com.br/
Não é demais lembrar: Conheci o livro de Paiva (que não é meu parente) e parte da obra de Ana Regina, cursando Introd à Fotog., na UnB. História contada em minha coluna aqui.
14. Usha Velasco | April 2nd, 2009 | 1:07 pm | :

Rá rá rá, eu tenho, você não tem…
Não vendo, não troco nem dou!!! Rá rá rá rá rá….
Mas se você quiser, chuchu, te mando por sedex, depois você me devolve!
15. Adriana Paiva | April 2nd, 2009 | 1:14 pm | :

Usha, meu exemplar (velho companheiro desde unB) está perdido lá em SP — em algum canto, entre caixas e gavetas.
Adorei e agradeço a sugestão do Sedex. Juro: 2Vs.

Beijos !
16. Usha Velasco | April 2nd, 2009 | 1:39 pm | :

As edições em grupo que fizemos nos Ladrões de Alma foram uma verdadeira escola para mim. Isso aconteceu ao longo de quase vinte anos, sendo mais intensivo nos primeiros dez anos, de 1988 a 1998, quando nos reuníamos religiosamente todas as semanas (religiosamente em termos de periodicidade, bem entendido, porque em outros termos… bom, deixa pra lá).

Foi mais que uma experiência riquíssima; na verdade, foi decisivo para a minha formação, não só fotográfica mas também como designer e artista plástica. Um novo horizonte se abria para mim a cada vez que quebrávamos o pau em torno de uma mesa durante horas, com a tarefa de escolher doze ou quinze fotos num conjunto de quarenta ou cinquenta. Digo horizontes num sentido quase literal, porque nossas discussões eram sempre em cima de linguagem fotográfica.

Quais imagens estão fora do tema? Por que esta aqui está dentro e aquela ali não? Essas duas são parecidas, não podem ficar no mesmo conjunto. Tá doido? Uma não tem nada a ver com a outra! Tem sim, olha só isso, aquilo e aquilo outro. Eu prefiro a cópia mais contrastada. Eu prefiro a mais suave. Mas a contrastada enfatiza melhor o clima dramático deste ensaio. Não, a mais suave é melhor porque tem mais detalhe na sombra. Você não pode priorizar a técnica em detrimento da linguagem. Posso sim, porque a técnica também é condicionante da linguagem. Deixa de ser tecnicista! Deixa você de ser porra-louca! Essa foto é forte demais para andar junto daquela outra. Esta aqui é fraca demais para abrir o ensaio. Mas ela é linda! Também acho, mas não para abrir. Desenvolva; se você não desenvolver eu não aceito! Então vamos lá, preste atenção neste enquadramento…

E por aí íamos. Agora fazemos isso muito raramente. Morro de saudades. Mas os Ladrões me tornaram uma boa editora, modéstia às favas, como diz meu amigo Rinaldo Morelli.
17. Rinaldo Morelli | April 2nd, 2009 | 1:54 pm | :

É pena que hoje não se discuta muito linguagem fotográfica…

Beto Rocha era quem dava a disciplina Linguagem Fotográfica no saudoso Centro de Pesquisas Fotográficas do CEUB. Era um curso livre dentro do campus de uma universidade particular aqui em Brasília. Lá na década de oitenta… Muita gente boa passou e/ou nasceu por ali…

Não quero discutir quantidade de pixels. Não quero saber qual é o zoom de sua lente. Nem qual é o flash que sincrorniza, muito o menos quanto custa isso tudo!
Quero ver qual é a poesia que brota em seu sensível, que intermediada pela técnica, chega aos meu olhos, e me toca.
Não quero saber o que seu equipamento faz, quero saber o que você faz com seu equipamento.

Saudade do tempo que se discutia linguagem fotográfica…
18. Adriana Paiva | April 2nd, 2009 | 2:19 pm | :

Usha,
Como eu supunha, sua participação nessa discussão a enriquece ainda mais .
Aproximei-me de você e, depois, do Rinaldo, mas ou menos nessa fase, quando vocês estavam (febris) às voltas com os projetos dos Ladrões de Alma . Lembro como se fosse hoje. Afinal, estive presente em alguns dos eventos (vernissages/exposições) em que esses projetos ganharam corpo.

Guria, genial seu relato sobre as reuniões de cúpula dos Ladrões. E que requinte a reprodução dos diálogos ; me transportei completamente . E ri muito do embate “tecnicistas X porra-loucas” .

Beijos
19. Adriana Paiva | April 2nd, 2009 | 3:24 pm | :

Taí, Rinaldo !

E a Internet não seria um bom lugar para se discutir linguagem fotográfica ? Penso, aliás, que essa seja uma das propostas do Pictura Pixel .
Acho que os fotógrafos brasileiros fazem pouco uso dos espaços de discussão disponíveis na rede . Discussão relevante, quero dizer . Para além de temas como equipamento — ‘”ah, porque a minha [ o ] grava, faz ligações e voa, custou $$$$ e chegou outro dia da BH “… Confesso que esse tipo de “debate” sempre me deixou entediada .

O que eu noto na Internet, desde a febre que foi o Fotolog e, agora, em sites como o Flickr e congêneres, é que as pessoas que fazem fotografia, atualmente, e exibem seu “trabalho” na rede, estão afoitas por mostrar o que produzem (algo cada vez mais fácil ! ) e alucinadas por receber louros por isso. Apenas.
Tenho batido bastante nessa tecla . E o feedback mais relevante, por incrível que possa parecer, vem de não-fotógrafos. Essa indolência intelelectual no meio fotográfico, já me deixava desanimada muito antes do advento da Internet.
O que traz alento é deparar com outros inquietos, que, como vocês, aparecem aqui para discutir .
Então, meninos, o que acham de levantar mais questões ?

Beijos,
Adriana

P.S.:( Lembro, acho que, do Marcelo Lunière (Ladrões?) dando algo como um ‘curso de férias’, no CEUB . Cheguei a ter aulas com ele — creio que, no início dos anos 90) .

Isso tudo veio daqui.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Jean Manzon






Jean Manzon (Paris, 2 de fevereiro de1915 — Reguengos de Monsaraz, 1 de julho de 1990) foi um fotógrafo francês radicado no Brasil que inovou o fotojornalismo brasileiro.

Começou trabalhando, na França, para as revistas Paris Match, Vu e Paris Soir.

Em 1940, mudou-se para o Rio de Janeiro fugindo da Segunda Guerra Mundial.

Trabalhou como diretor de fotografia e cinema no Departamento de Imprensa e Propaganda do governo da ditadura de Getúlio Vargas com salários bem altos. Tornou-se o fotógrafo preferido de Getúlio Vargas que adorava ver fotos suas publicadas na imprensa internacional.

Em 1943, foi trabalhar na revista "O Cruzeiro", tornando-se parceiro do jornalista David Nasser em uma das mais notáveis e polêmicas duplas jornalísticas da história da imprensa no Brasil. As reportagens que fez em parceria com com David Nasser de 1943 a 1951 foram fundamentais para o sucesso de vendas da revista "O Cruzeiro" cuja tiragem atingiu níveis inesperados para a época. Tornou-se então o mais famoso fotógrafo brasileiro do período entre as décadas de 1940 e 1970.

Inovou o fotojornalismo brasileiro, até então pouco criativo, com novos enquadramentos, "closes" extremos e ângulos bizarros que atraiam a atenção dos leitores.

Suas fotos, ao contrário do que propõe a maioria do fotojornalistas, foram, na maior parte das vezes, posadas. Tampouco tinha preocupação com a veracidade do fato fotografado. Uma vez, alguns monges recusaram-se a ser fotografados para uma matéria jornalística; Jean Manzon chamou dois amigos, vestiu-os com batas, tirou as fotos necessárias e as enviou para a redação, que as publicou como autênticas.

Tinha espírito de aventura e não tinha medo e arriscar-se visitando locais remotos e selvajens do Brasil. Foi um dos primeiros fotógrafos, junto com Henri Ballot e José Pinto, a revelar ao mundo as diversas faces dos índios do Xingu.

Não se vexava em tratar assuntos polêmicos de forma abominável. Em 1945, a dupla David Nasser e Jean Manzon publicou em "O Cruzeiro" uma matéria ilustrada na qual pretendiam ensinar aos brasileiros a distinguir um japonês de um chinês pelo "aspecto repulsivo, míope, insignificante".

Até o início dos anos 1980, era obrigatória a apresentação de documentários em todos os cinemas antes do filme principal. A partir de 1952, Jean Manzon dirigiu e produziu mais de 900 documentários, vários deles a serviço do IPES. A maior parte foi veiculada nos cinemas de todo o Brasil. Durante o período da ditadura militar de 1964, os documentários de Jean Manzon ficaram conhecidos pelos elogios exacerbados que faziam às realizações e obras do governo.

Casou-se três vezes e teve dois filhos.

AFOTO - Associação dos Fotógrafos de Brasília


Foi fundada neste sábado, 28 de março, a Associação de Fotógrafos de Brasília (AFOTO). Estavam presentes cerca de cinqüenta fotógrafos, desde profissionais independentes, amadores, coletivos e fotoclubes de Brasília. A iniciativa surgiu com objetivo principal viabilizar eventos fotográficos, como o Porque eu fotografo?, e batalhar por questões referentes à regulamentação da profissão e direitos autorais.

A diretoria eleita, que exercerá um mandato de dois anos, é composta pelos seguintes fotógrafos:

Presidente: Rinaldo Morelli
Diretor Executivo: Kazuo Okubo
Diretor Financeiro: Carlos Aversa
Diretora de Comunicação: Isabela Lyrio
Diretor de Projetos: Humberto Lemos
Conselho Cultural: Arthur Monteiro, Janaína Miranda e Patrick Grosner
Conselho fiscal: José Rosa, Edgad César e Gisele Porcaro

afotobrasilia@gmail.com

Fotos: Kazuo Okubo

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

As tribos do Vale do Rio Omo













A desolada região sul do Vale do Rio Omo na Etiópia tem várias tribos vivendo da mesma maneira há séculos, em isolamento voluntário do mundo moderno.
Recentemente, entretanto, as tribos Dassanech, Mursi, Hamar, Karo, Bume, Beshadar e outras – estão sob pressão crescente do mundo exterior. A mais recente é um projeto de barragem no Rio Omo para gerar energia hidroelétrica para a capital da Etiópia, Addis Ababa. Isso irá reduzir o rio para um quinto de seu tamanho e eliminar as planícies alagadas tão valiosas para os agricultores tribais do Vale do Omo. O governo, distante geograficamente em Addis Ababa, parece dar pouca importância à ameaça dessas culturas únicas do Vale do Omo, e os dias de existência de suas culturas intactas estão contados.
Minha viagem à região teve duas semanas de duração, começando no meio de dezembro de 2007. A proposta dessa viagem foi realizar retratos coloridos como parte de um projeto mundial sobre culturas que estão diminuindo/desaparecendo.

“As journalists we often have to find new ways to tell an old story. I believe in trying to tell that story in the most powerful way I can under the limited circumstance that time brings to any assignment. I am trying to be less concerned with who I am working for and more concerned about what I am doing with my time. This is crucial period in our history on this planet and I want to feel like I am working on issues that matter beyond the sensationalism of the 24 hour news cycle.“
Brent Stirton

Relatos de viagens no blog do Discovery Channel

domingo, 22 de fevereiro de 2009

New York


New York 2008 from Vicente Sahuc on Vimeo.

New York em 4 minutos.

Autor: Vicente Sahuc
Música: Numb - U2
Filmado com uma câmera Casio EX-F1 (300 fps e editado em 24fps), patins e Steadicam Merlin.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O mineiro João Castilho e seus novos conceitos


Paisagem. Imagem da série 'Linhas', à qual Castilho se dedica atualmente



Foto da série 'Redemunho', que deu a Castilho o Conrado Wessel

Douglas Resende

João Castilho até se assustou quando o celular tocou. Ele estava em Milho Verde, no Vale do Jequitinhonha - onde sinal de celular é coisa improvável - quando a reportagem do Magazine ligou para uma conversa sobre fotografia e os rumos de seu trabalho. "A paisagem daqui é grandiosa e tem a potência que estou buscando", justifica o fotógrafo sua viagem ao pequeno lugarejo nas cercanias de Diamantina, onde está fotografando para uma série intitulada "Linhas" e outras "experiências para futuros trabalhos, todos na paisagem". Nascido há 30 anos, em Belo Horizonte, e formado em jornalismo, João Castilho ganhou projeção pelos ensaios que se equilibram entre o realismo da fotografia documental e a subjetividade de um olhar poético e imaginativo. E, no ano passado, uma série de prêmios veio reconhecer seu trabalho. Foi eleito Fotógrafo do Ano pelo Fotosite, em votação que reúne profissionais e críticos de todo o país, e levou, pelo ensaio "Redemunho" o Conrado Wessel, maior prêmio da fotografia brasileira, faturando R$ 80 mil. Depois veio ainda o prêmio Bolsa Funarte de Estímulo à Criação Artística, que lhe rendeu mais recursos para seguir dedicando-se aos novos projetos.

Afora todos esses incentivos materiais e morais, no ano passado Castilho montou duas exposições individuais - uma na Galeria Olido, em São Paulo, e outra no espaço Oi Futuro, no Rio de Janeiro - e nove coletivas, sendo uma delas na Holanda. Antes de tudo isso, no começo do ano, havia publicado ainda o livro "Paisagem Submersa" pela Cosac Naif, junto com os fotógrafos conterrâneos Pedro Motta e Pedro David. Nos ensaios de "Paisagem Submersa" está o fundamento do estilo de Castilho. Ele e os parceiros passaram a qualificar o trabalho do livro como "documentário imaginário", depois que o termo foi usado por Chuck Samuels, diretor artístico do Mois de la Photo em Montreal, para designar aquela obra dos três fotógrafos. As imagens de "Paisagem Submersa" foram feitas entre o registro do cotidiano e a mise-en-scène criada em diálogo com o imaginário das pessoas, em municípios do Vale do Jequitinhonha que teriam parte de suas terras inundadas para a formação da represa da usina hidrelétrica de Irapé. O estilo que se reconheceu em João Castilho no seu glorioso ano de 2008 pode, no entanto, não dizer muito sobre o fotógrafo em 2009. "Eu poderia fazer outro 'Paisagem Submersa'.

Mas quis virar a página. O problema da fotografia, em geral, é essa estagnação, passar o resto da vida fazendo a mesma foto, com a mesma luz, o mesmo enquadramento, a mesma temática", afirma Castilho. Ele diz que decidiu, inclusive, abandonar o tema. "Não me interessa mais o tema, mas o conceito." E aponta o novo rumo. "O caminho são as artes plásticas e a arte contemporânea. O que os artistas têm feito com a fotografia é genial", afirma, citando o mexicano Gabriel Orozco, a francesa Sophie Calle e a mineira Rosângela Rennó. "Porque não tem fórmula, não tem regra. É muito maior do que chegar na frente de alguém e disparar a câmera. Comecei a criar pânico disso, tem um ano que não fotografo gente. Esse lado documental está se dissolvendo", revela o fotógrafo, que, sintomaticamente, iniciou um mestrado em arte contemporânea na Escola de Belas Artes da UFMG, tendo como principal referência para sua pesquisa o pensador francês Andre Rouille, autor de "A Fotografia: Entre o Documento e a Arte Contemporânea". Ainda assim, mesmo com o lado documental "se dissolvendo", o fotógrafo admite continuar se equilibrando nos dois territórios, mas de formas diferentes. "Levo certas coisas ainda. Lugares, por exemplo", diz referindo-se a Milho Verde.

Exposições em 2009

João Castilho já tem duas exposições marcadas para este ano e outras a confirmar

Individual. Em abril, no Centro Cultural Simón I. Patiño, em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia

Acervo. Escolhido entre os cinco fotógrafos que passam a integrar o acervo do Clube de Fotografia do Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo

Contemporâneo
Gosto pela literatura pauta novo ensaio


João Castilho tem trabalhado no momento na série "Linhas". São intervenções na paisagem natural com linhas de crochê, que "às vezes parece antropomórfica, às vezes uma forma gráfica". "Essas intervenções desarranjam a ordem e causam um curto-circuito na paisagem bucólica", explica Castilho, que, embora já tenha exibido fotos da série na Galeria Olido, em São Paulo, diz que o trabalho ainda não está pronto. Outro trabalho em processo ao qual o fotógrafo tem se dedicado tem a ver com o seu gosto pela literatura. Castilho pegou o hábito de colecionar edições do romance "Metamorfose", de Franz Kafka. O detalhe é que para cada uma das 11 edições que ele já garimpou existe não só uma tradução diferente como a primeira frase do romance foi traduzida de um jeito. "Comecei a fotografar essas primeiras frases, trabalhando o foco – focava só a primeira linha e desfocava o resto", diz Castilho. "Além da questão da tradução, da metamorfose do texto – o Haroldo de Campos diz que não existe tradução, mas 'transcriação' –, fica bonito visualmente. Pego a textura do papel, as manchas, a cor, que vai mudando com a luz", conta. (DR)

Fotografia
"A fotografia humanista se esgotou para mim"


Formado em jornalismo pela PUC-Minas, João Castilho iniciou-se na escola da fotografia documental. Mas neste momento demonstra certo fastio dela. Nesta entrevista, por telefone, de Milho Verde, o fotógrafo remonta sua trajetória e expõe os motivos que o inquietam e que o fizeram tomar outros rumos. Você diz que sua visão sobre a fotografia tem transmutado ultimamente. Você pode situar essa curva na sua trajetória? Há uma busca de uma aliança entre um conceito e uma forma, uma estética. Vim da escola da fotografia documental, que eu praticava no começo. Importada da Europa do entre-guerras e da Segunda Guerra Mundial, a fotografia documental foi disseminada pela agência Magnum, fundada pelo Henri Cartier-Bresson e pelo Robert Capa. E todo mundo foi parar lá uma hora – o Sebastião Salgado, o Miguel Rio Branco. Essa fotografia continua hoje poderosíssima, disseminando um modelo humanista, de olhar o outro. Mas é um modelo que se esgotou para mim. Comecei então a tentar me reeducar, me liberar um pouco desse olhar. E comecei a procurar uma aliança na arte contemporânea.

Quando eu comecei a estudar, a ver e a dialogar com a arte contemporânea, vindo da fotografia documental, a coisa começou a ficar mais interessante, a me instigar mais, a ir além e aparecer novos caminhos. Aí se localiza meu trabalho neste momento. Ele está andando e a cada ano que passa me surpreendo mais com onde estou me enfiando. "Paisagem Submersa" tem muitos retratos. Como é sua relação com a gente que fotografa, considerando o quanto é difícil lidar com a imagem de outra pessoa? No "Paisagem Submersa" tinha uma coisa bacana: a gente ficava muito tempo nos lugares e voltava muitas vezes. Fotografei poucas pessoas, porque só conseguia fotografar direito quando tinha uma interação. Não conseguia fotografar alguém que não batia o santo. E como foi um trabalho de muito tempo, entre algumas pessoas tinha uma paixão – a gente andava junto, gostava de beber, de comer junto, contar piadas, encher o saco um do outro. São dessas pessoas as fotos do livro e do site. Mas claro que é uma violência também, botar numa galeria, num livro. Agora, não dá para ficar com essa culpa o tempo inteiro porque senão você não trabalha, mas ela tem que estar lá, não dá para perdê-la de vista, senão você vira um monstro.

Tem fotógrafo de guerra que enlouquece e não consegue tirar mais a foto de uma flor. A não ser que tenha uma cabeça muito bem resolvida, tipo o Sebastião Salgado. Para você, essa fotografia é inviável hoje? Você pode continuar trabalhando, mas com uma mudança de foco e de atitude. A Sophie Ristelhueber, por exemplo, fotografa conflitos no Líbano, mas não é instantâneo, nem fotojornalismo. Ela chega três dias depois da guerra e registra o que sobrou. Tem um livro dela só de barricadas na estrada – não tem ninguém lá, mas é de uma violência. Não precisa mostrar o cara tomando um tiro. O Capa poderia chegar lá e fazer essa foto hoje. Mas nesse último conflito Israel/Palestina, foi raro ver um trabalho dentro da Palestina – todo mundo embutido no Exército de Israel, protegidinho. Hoje tem um controle violento da informação. Você vai estar sempre a serviço do lado forte. Se algum bom trabalho for feito lá, vai ser de um palestino dentro da palestina. Tem que ser feito por eles mesmos. Não tem mais por que eu ir lá. Então fico quieto em casa.

Publicado em: 07/02/2009