Coletivo Punctum from Fotoclube f/508 on Vimeo.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
terça-feira, 26 de maio de 2009
Projeto Lambe-Lambe
terça-feira, 19 de maio de 2009
Tesão...
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Autumn é o oposto do próprio nome. Nada a ver com a bucólica estação em que as árvores cobrem as ruas com folhas amareladas e as pessoas começam a se esconder sob muitas roupas. Por seus ensaios ultracalientes, a loura de 24 anos mais lembra aqueles incêndios de verão que volta e meia lambem mansões cinematográficas em sua terra natal, a Califórnia: tem gente que só de ouvir “Autumn Sonnichsen” já arma um sorriso sacana.
Mas também nada a ver com a pura e simples imagem de uma câmera tarada: um conceito não se fixa exato em um retrato. Essa é das poucas verdades que a moça, celebrada por seus perturbadores cliques, faz questão de demonstrar. São 15 horas e ela acabou de fazer compras para o almoço. “Ah, odeio dar entrevistas”, diz em seu português quase perfeito, embora pontuado por trocas de gênero e um r caipira. “Bebe uma vodca?”, oferece, pegando gelo e uma Ketel One do freezer na ampla cozinha de sua casa, um belo apartamento nos Jardins. Depois do tintim, ela tenta enumerar a quantidade de lares por que passou. “Uns 20, 30”, chuta a garota de pernas bronzeadas, bermuda curtíssima e cílios muito longos.
Suas lentes já viajaram por Cairo, Berlim, Nova York, Paris, Washington, Cidade do Cabo; foi aos 16 anos que ela saiu da casa da mãe, uma professora que “fazia questão de dizer aos filhos como a gente era foda! Os meus irmãos são uns lucky bastards. Adoramos aprender coisas. Sempre tive a impressão de que faria algo muito bom, desde pequena. Achava que escreveria: era fã daquela turma de americanos em Paris nos anos 20. Ainda bem que parei, porque tudo o que escrevia era ruim!”, ri na cozinha, enquanto lava vegetais antes de colocá-los na geladeira. É fluente em espanhol, francês, alemão e arranha um árabe. “Aprender outra língua é como ser outra pessoa. Existem muitas Autumns dentro de mim”, afirma. Ela sempre sonhou em morar no Rio de Janeiro, mas, em 2005, acabou encontrando, pela internet, um apartamento para dividir em São Paulo, onde o mercado de trabalho favorecia. Hoje, mesmo superinteirada no Brasil – colabora com revistas como Tpm, Trip, Playboy, EleEla e Quem –, planeja deixar a estabilidade e largar a fotografia, como veremos.
"Aprender outra língua é como ser outra pessoa. Existem muitas Autumns dentro de mim"
Enquanto isso não rola, Autumn causa. “Eu pesquisava a sensualidade na fotografia, erotismo, porque trabalhava numa revista masculina”, conta Elizabeth Slamek, ex-diretora de arte da Trip.
“Um dia apareceu uma gringa querendo me ver, uma garota muito nova e extremamente doce com sotaque. Quando vi as fotos fiquei extasiada: era tudo o que vinha procurando. As fotos tinham paixão e eram quentes pra valer. Sim. as fotos dela dão tesão!”, justifica. E ela é obstinada: atrás do clique perfeito, não mede limite. “A gente estava clicando uma garota nua amarrada, na Paulista, depois foi pro viaduto do Chá, quando apareceu um policial”, conta seu braço direito, Jozzu. “A Autumn convidou o PM pra participar da foto, e ele acabou ajudando. Depois, a gringa cismou de fotografar a mina na frente da catedral da Sé. Apareceu o mesmo PM mais cinco, dando esporro: ‘Que putaria é essa na frente da igreja?’. Fiquei fazendo cara de paisagem enquanto a Autumn veio com essa: ‘Mas senhorrr! Non sabia que non podia! Eu serrr arrrtista”, gargalha Jozzu, abrindo a porteira do r.
WOOOOW
A arquiteta e jornalista Joana Johnsen, Trip Girl da Trip #164 e protagonista de um futuro livro de Autumn, sugere uns truques da gringa atrás da imagem (im)perfeita. “A gente viajava juntas pelo Nordeste e Norte, começamos a nos fotografar de brincadeira. Depois ela ofereceu uns retratos meus para a Trip. Surgiu por acaso”, diz. Como é seu estilo de fotografar? “Ela sente o limite da pessoa, vai fazendo com que ela queira ficar nua. É impaciente, mas sabe até onde ir, e ao mesmo tempo é persuasiva, deixa a pessoa refletir se quer isso mesmo. E sabe como tornar o transgressivo algo natural, simples, sensível. O que mais gosto nela é o fato de ser uma mulher que admira muito a beleza feminina”, define Joana.
Para Autumn, ver uma mulher maravilhosa é “como presenciar um milagre”, conta a jornalista Erica Gonsales, musa de ensaios e amiga de fé (leia box). Mas ela principalmente aprecia belezas nada óbvias e gosta de surpreender o belo em um enquadramento inusitado, em uma luz suja, um cenário estranho. Basta ver seu recente ensaio com Nana Gouvêa para Playboy, em que colocou a modelo nua no Copan no meio de 300 pessoas. Uma das características marcantes de seu estilo é a capacidade de tornar natural qualquer coisa estranha – e de trazer estranheza para algo aparentemente normal. Suas imagens têm senso de narrativa e uma estética quente que aproxima a técnica de seu berço: o instantâneo. O espectador não parece ver uma foto produzida, e sim assistir ao momento da ação. Próprio de quem curte uma espiada na fechadura: californiana que não nega as raízes, Autumn adora filme pornô. Não é o aspecto sexual que a impressiona, e sim o lado gargantuesco da coisa. “Me fascina o universo das pessoas que vendem seu corpo, que o modificam, que abusam de seus limites. Me apaixonam as coisas que são woooow, larger than life, entende? Vejo mulheres lindas e fico de cara, tipo ‘olha essa gostosa!’.”
Assunto que a tira do sério é a distinção entre erotismo e pornografia. “O que é foto erótica? Se a pessoa está meio pelada é erótica? Totalmente pelada é pornográfica? Não tenho vontade desse debate. Quero fazer fotos divertidas, que as pessoas entendam, que as deixem felizes, não discuto limites. Se quer saber o que é pornografia e o que é erotismo, sugiro esse livro” – e estende um dicionário ao repórter. Mas qual seria sua definição de pornografia? “Qualquer imagem vendida para outra pessoa bater punheta.”
E, daqui a dez anos, que pretende estar fazendo? “Não tenho vontade de seguir na fotografia profissional: esse mundo de revistas tem capacidade de ser extremamente chato”, detona. “Vou tentar terminar a faculdade de história da arte e ser professora. Antes, gostaria de fazer um filme. Num mundo perfeito faria um livro por ano e não publicaria mais nada em outros lugares. Preciso aprender árabe direito, a dirigir um carro com marcha, aprender a cozinhar na Tailândia. Quero ter cavalos. E, faz pouco tempo, fiquei pilhada em largar tudo, voltar para a Califórnia e ser parteira. Aliás, fotografar um parto deve ser incrível. Tenho que fazer isso”, desafia. Tocando no assunto intimidade. toda vez que o repórter se intromete em algum tema mais íntimo, a resposta é uma só: “It’s not of your business! Mais vodca?”. Cheers, Autumn: fotógrafo bom tem que saber mesmo onde colocar o foco.
Por Erica Gonsales
“Conheci a Autumn quando editava um site erótico e já fazia autorretratos sensuais. Nossa amizade me fez assumir o gosto pelo erotismo. Arrumei uma cúmplice. Todo mundo gosta de sexo. Mas mesmo quem se diz moderno tem pudor de assumir isso. Ela tem um jeito de fazer tudo parecer leve e natural.
Tive resistência em deixar ser fotografada. Também achava que ela era tarada. Mas insistiu tanto que conseguiu. O que me deixou à vontade foi o jeito como ela conduz: diz que você é fantástica, maravilhosa – e você acredita . Mas não é artifício pra te deixar segura, a Autumn fica realmente feliz ao ver uma mulher nua. Um fotógrafo pode ter receio de te pedir pra ficar de quatro. Ela não. É destemida. Já vi essa mulher em situações perigosas para ter a foto que quer: caminhando num telhado quente com telhas se despedaçando, subindo em muros altíssimos, sentada em janelas no 15º andar.
Na verdade, ela pode ser tarada. Mas não 24 horas. Como toda mulher, é sensível, chora em filmes de amor e ama dar presentes. É das pessoas mais generosas que conheço. Ela me deu algo precioso, que tento retribuir quando faço alguma doideira que ela me pede (como deitar no escadão da avenida Sumaré às três da tarde e mostrar a bunda pra ela fotografar). Me acho mais bonita por causa dela.”
Conheça o blog da Autumn na Trip e seu site pessoal, imperdível!
terça-feira, 14 de abril de 2009
O viajante Mike Brodie








Aos 18, Mike Brodie trocou os carpetes pelo asfalto e saiu de casa. Quando fez isso, ganhou uma câmera polaroid de uma amiga. Alguns anos depois, por ter feito isso, ganhou o 2008 Baum Award for Emerging American Photographers.
Seus temas são simples: a estrada e as pessoas que vivem nela. Mendigos, ciganos e mochileiros com rostos sujos, violões e pouca bagagem.
Se ele mesmo se transformou em um desses viajantes eu não sei dizer, mas o trabalho dele é sincero da forma como um road movie dificilmente consegue ser.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
A linguagem fotográfica de Beto Rocha deu pano abessa para a manga
O mundo da rede é mesmo enriquecedor, sabendo garimpar então, isso tudo se torna algo muito além do que podemos imaginar.Leiam abaixo o que a divulgação de uma belíssima exposição foi capaz de provocar em cabeças pensantes do meio fotográfico.Transitou entre edição nos tempos aureos do analógico, história da fotografia brasiliense chegando até o flickr.Se esbaldem com a informatite garimpada.
Exposição Fotográfica “SQSQN a cidade dos meus olhos” de Beto Rocha
na Livraria Cultura-Brasília dia 3 a 30 de abril a partir das 19hs


Fotos © Beto Rocha
O trabalho traz um olhar dialeticamente construído entre luzes e sombras, entre quadras, nas asas de um plano piloto. São traços urbanos, por demais humanos, de uma cidade jardim na pressa moderna de corações exaltados. Monumentos humanizados, espaços setorizados constituem uma fotografia na linha do horizonte, que se perde no infinito do olhar distraído, cruzando a cidade de norte a sul, de sol a céu aberto para o cerrado. Um olhar que experimenta a existência, antes mesmo da essência do existir, como um flâneur a contemplar o moto contínuo da vida na cidade. 20 fotografias de Brasília, levando em consideração o cotidiano mais banal da cidade, nas 4 escalas criadas pelo arquiteto (escalas do monumental – poder -, residencial, gregária e bucólica), onde a imagem é tomada pela luz que determina sua forma, sua concepção, através do contraste entre luzes e sombras, entre cores. Como um Impressionista.
1. Rinaldo Morelli | March 31st, 2009 | 2:37 pm | :
Beto, é um gigantesco privilégio, e responsabilidade, participar da edição de seu trabalho.
As vezes perco a objetividade entre babas que escorrem diante de algumas imagens.
Ainda faremos um livro que faça jus ao seu olhar de cronista.
Poucas imagens pretendem ser sínteses, mas seu trabalho não pode ser resumido.
abcs e parabéns
do amigo e companheiro de muita aventuras
Rinaldo
2. Adriana Paiva | March 31st, 2009 | 3:48 pm | :
Rinaldo, você é curador da expo do Beto Rocha ? Isso ? Conte mais .
Você, aliás, triscou num assunto que muito me interessa.
Lembra do que a Ana Regina Nogueira conta ao Joaquim Paiva em “Olhares Refletidos” ?
Recordo, amiúde , de uma passagem dessas entrevistas: quando ela fala sobre editar o próprio trabalho. De como o olhar dela mantinha-se contaminado pelo recém-registrado e de como ela via ser necessário esquecer os negativos no fundo da gaveta para , mais tarde, experiência “arrefecida” , ela conseguir editar o próprio material.
Todo esse preâmbulo para dizer: padeço da mesma dificuldade de Ana Regina ; não sei editar meu trabalho fotográfico. E, já pedindo perdão, se soar cabotino, sou muito mais exitosa editando o trabalho alheio .
Bem, deixo as reflexões para discussão.
Beijos
3. Adriana Paiva | March 31st, 2009 | 4:02 pm | :
Rinaldo, faltou perguntar: Você sente que “flui” melhor editando o seu trabalho fotográfico ou o trabalho de outros ?
Sua percepção é compartilhada por aqueles que você já “editou” ?
Eu creio nunca ter decepcionado os fotógrafos cujo trabalho eu tenha “editado” - termo que aplico em amplo sentido, claro, já que nunca atuei, profissionalmente, como ‘editora de fotografia’ .
Posso estender a pergunta a você, Claudix ? O que me diz ? Tem suficiente “sangue frio” , distanciamento bastante, para se auto-editar ?
Bjs
4. Wank Carmo | March 31st, 2009 | 6:44 pm | :
Concordo em parte com a amiga Adriana. Não vejo necessidade de deixar os originais por muito tempo na gaveta, para depois sacar o melhor do conjunto, mas vejo como necessidade, visitar os negativos sobre a mesa de luz, por várias vezes, num momento em que as emoções, aquela animação inicial passou. Friamente, para poder analisar melhor o que vai ser mostrado e o que vai para o lixo. Quando fazemos uma seleção radical, desimpregnando a vaidade, do nosso ego, nos sentimos na obrigação de buscar mais e mais, algo que nos emocione realmente. Uma editora de uma agência estrangeira, que andou perambulando por São Paulo à cata de fotografias fenomenais produzidas no Brasil, foi muito eficaz e rigorosa nesse ponto, quando afirmou que no seu alforje só entraria a fotografia que lhe tirasse a exepressão “Uau!” As duas fotos de Beto Rocha não tiram o folego, mas são dignas de irem para qualquer parede. “UAU!”
O trabalho que observo acima, é fruto desta garimpagem cuidadosa, onde a procupação com a qualidade falou mais alto e isto servirá de combustível nao somente para Beto, mas a todos que curtem com a alma, esses fragmentos de vida.
5. Wank Carmo | March 31st, 2009 | 6:48 pm | :
Mais: aí está, a prova da força do instante decisivo, sem “apelações contemporâneas…”
6. Adriana Paiva | March 31st, 2009 | 7:05 pm | :
Boa noite, Wank ! Obrigada por opinar .
Bem, como hoje tenho usado bastante esporadicamente minhas analógicas “Nikon” ( revelando, assim, poucos filmes) , o que tenho achado útil fazer , quando não há deadline a observar, é baixar as fotos em meu notebook, classificá-las e esquecer delas por um tempo . Deixar mesmo a experiência esfriar nos olhos e na memória. Ajuda um bocado .
7. Wank Carmo | March 31st, 2009 | 7:34 pm | :
Boa noite, Adriana!
É sempre uma honra trocar idéias nesta maloca cibernética. Aprende-se. Voce dá um descanso à mente. É mais ou menos o que falei anteriormente. Se eu faço uma foto e acho ela o máximo no moneto do click, hoje eu dou um descanso emcocional para ver se realmente aquela foto é tão legal como eu achava. Depois entra o crivo seletivo radical.
8. Rinaldo Morelli | April 1st, 2009 | 7:03 am | :
Adriana, editar é também uma obra autoral. Depositamos nosso olhar no olhar do outro e fazemos um recorte.
Talvez por isso alguns fotógrafos não gostem que outros editem seus trabalhos…
Eu também tenho dificuldade em editar meu trabalho, é uma das coisas que sinto falta dos tempo áureos do grupo Ladrões de Alma. Fazíamos edições em grupo do trabalho de cada um.
Mais do que isso, acho que uma curadoria encontraria vertentes, caminhos e leituras que o autor não tenha percebido.
É sempre muito enriquecedor.
9. Claudio Versiani | April 1st, 2009 | 7:23 am | :
Editar não é fácil, seja de quem for o trabalho. O que é interesante e didático no processo é o aprendizado com o outro. Descobrir o que o fotógrafo queria dizer e se surpreender é sempre prazeroso. Faz muito tempo eu participei de um workshop na Argentina. O grande Abbas era um dos mestres. Ele simplesmente olhava para a foto e dizia: Funciona! Não funciona! Algo parecido com o UAU do Wank.
Eu gosto muito de editar o meu trabalho, sempre. E sempre descobrir que poderia ter feito um pouco melhor e me esforçado um pouco mais, além de me chatear porque depois de velho ainda cometo erros banais, é do jogo.
Um outro olhar sobre as nossas fotos é bem vindo. Mas o que é legal mesmo é participar de uma edição coletiva. No livro Brasil 500 anos passamos 7 dias, 11 editores e milhares de fotos. Inesquecível! Enriquecedor como escreveu Rinaldo. A troca de experiência é fundamental. Por isso mesmo estamos aqui compartilhando o Beto Rocha. E para fechar, eu digo que as duas funcionam muito bem e digo vários Uaus para elas, principalmente para a primeira.
10. Wank Carmo | April 1st, 2009 | 4:41 pm | :
Falou e disse, Claudio. Me amarro numa ajuda. Não tem coisa melhor do que um olhos mais experiente em cima do trabalho da gente. Eu boto no crivo alheio numa boa.
11. Adriana Paiva | April 2nd, 2009 | 9:27 am | :
Claudio, Rinaldo, Wank,
Quero ler seus apartes com calma para responder mais tarde. Hoje, por aqui, estou mais atarefada do que o costumeiro.
Por ora, digo que assino embaixo daquele verso da música de Paulo Tatit e Arnaldo Antunes :
“O seu olhar, seu olhar melhora, melhora o meu” .
Abraços
12. Adriana Paiva | April 2nd, 2009 | 11:52 am | :
Um pedido (com jeito de anúncio):
Preciso, urgentemente, de um novo exemplar de “Olhares Refletidos”, do Joaquim Paiva . O meu (’antiguinho’) , uma edição do final dos anos 80, está perdido em algum lugar, entre minhas coisas guardadas em Sampa.
Compro usado (desde que me possa ser entregue, urgentemente, aqui, no Rio) . Por favor, ver contatos em meu site.
Obrigada
13. Adriana Paiva | April 2nd, 2009 | 12:50 pm | :
Em tempo:
Um convite a que se conheça melhor o trabalho da fotógrafa Ana Regina Nogueira — cujos depoimentos constam no livro de Joaquim Paiva ‘Olhares Refletidos - Diálogo com 25 Fotógrafos Brasileiros ‘ (Editora Ágil / Dazibao - 1989 ) : http://www.anareginanogueira.com.br/
Não é demais lembrar: Conheci o livro de Paiva (que não é meu parente) e parte da obra de Ana Regina, cursando Introd à Fotog., na UnB. História contada em minha coluna aqui.
14. Usha Velasco | April 2nd, 2009 | 1:07 pm | :
Rá rá rá, eu tenho, você não tem…
Não vendo, não troco nem dou!!! Rá rá rá rá rá….
Mas se você quiser, chuchu, te mando por sedex, depois você me devolve!
15. Adriana Paiva | April 2nd, 2009 | 1:14 pm | :
Usha, meu exemplar (velho companheiro desde unB) está perdido lá em SP — em algum canto, entre caixas e gavetas.
Adorei e agradeço a sugestão do Sedex. Juro: 2Vs.
Beijos !
16. Usha Velasco | April 2nd, 2009 | 1:39 pm | :
As edições em grupo que fizemos nos Ladrões de Alma foram uma verdadeira escola para mim. Isso aconteceu ao longo de quase vinte anos, sendo mais intensivo nos primeiros dez anos, de 1988 a 1998, quando nos reuníamos religiosamente todas as semanas (religiosamente em termos de periodicidade, bem entendido, porque em outros termos… bom, deixa pra lá).
Foi mais que uma experiência riquíssima; na verdade, foi decisivo para a minha formação, não só fotográfica mas também como designer e artista plástica. Um novo horizonte se abria para mim a cada vez que quebrávamos o pau em torno de uma mesa durante horas, com a tarefa de escolher doze ou quinze fotos num conjunto de quarenta ou cinquenta. Digo horizontes num sentido quase literal, porque nossas discussões eram sempre em cima de linguagem fotográfica.
Quais imagens estão fora do tema? Por que esta aqui está dentro e aquela ali não? Essas duas são parecidas, não podem ficar no mesmo conjunto. Tá doido? Uma não tem nada a ver com a outra! Tem sim, olha só isso, aquilo e aquilo outro. Eu prefiro a cópia mais contrastada. Eu prefiro a mais suave. Mas a contrastada enfatiza melhor o clima dramático deste ensaio. Não, a mais suave é melhor porque tem mais detalhe na sombra. Você não pode priorizar a técnica em detrimento da linguagem. Posso sim, porque a técnica também é condicionante da linguagem. Deixa de ser tecnicista! Deixa você de ser porra-louca! Essa foto é forte demais para andar junto daquela outra. Esta aqui é fraca demais para abrir o ensaio. Mas ela é linda! Também acho, mas não para abrir. Desenvolva; se você não desenvolver eu não aceito! Então vamos lá, preste atenção neste enquadramento…
E por aí íamos. Agora fazemos isso muito raramente. Morro de saudades. Mas os Ladrões me tornaram uma boa editora, modéstia às favas, como diz meu amigo Rinaldo Morelli.
17. Rinaldo Morelli | April 2nd, 2009 | 1:54 pm | :
É pena que hoje não se discuta muito linguagem fotográfica…
Beto Rocha era quem dava a disciplina Linguagem Fotográfica no saudoso Centro de Pesquisas Fotográficas do CEUB. Era um curso livre dentro do campus de uma universidade particular aqui em Brasília. Lá na década de oitenta… Muita gente boa passou e/ou nasceu por ali…
Não quero discutir quantidade de pixels. Não quero saber qual é o zoom de sua lente. Nem qual é o flash que sincrorniza, muito o menos quanto custa isso tudo!
Quero ver qual é a poesia que brota em seu sensível, que intermediada pela técnica, chega aos meu olhos, e me toca.
Não quero saber o que seu equipamento faz, quero saber o que você faz com seu equipamento.
Saudade do tempo que se discutia linguagem fotográfica…
18. Adriana Paiva | April 2nd, 2009 | 2:19 pm | :
Usha,
Como eu supunha, sua participação nessa discussão a enriquece ainda mais .
Aproximei-me de você e, depois, do Rinaldo, mas ou menos nessa fase, quando vocês estavam (febris) às voltas com os projetos dos Ladrões de Alma . Lembro como se fosse hoje. Afinal, estive presente em alguns dos eventos (vernissages/exposições) em que esses projetos ganharam corpo.
Guria, genial seu relato sobre as reuniões de cúpula dos Ladrões. E que requinte a reprodução dos diálogos ; me transportei completamente . E ri muito do embate “tecnicistas X porra-loucas” .
Beijos
19. Adriana Paiva | April 2nd, 2009 | 3:24 pm | :
Taí, Rinaldo !
E a Internet não seria um bom lugar para se discutir linguagem fotográfica ? Penso, aliás, que essa seja uma das propostas do Pictura Pixel .
Acho que os fotógrafos brasileiros fazem pouco uso dos espaços de discussão disponíveis na rede . Discussão relevante, quero dizer . Para além de temas como equipamento — ‘”ah, porque a minha [ o ] grava, faz ligações e voa, custou $$$$ e chegou outro dia da BH “… Confesso que esse tipo de “debate” sempre me deixou entediada .
O que eu noto na Internet, desde a febre que foi o Fotolog e, agora, em sites como o Flickr e congêneres, é que as pessoas que fazem fotografia, atualmente, e exibem seu “trabalho” na rede, estão afoitas por mostrar o que produzem (algo cada vez mais fácil ! ) e alucinadas por receber louros por isso. Apenas.
Tenho batido bastante nessa tecla . E o feedback mais relevante, por incrível que possa parecer, vem de não-fotógrafos. Essa indolência intelelectual no meio fotográfico, já me deixava desanimada muito antes do advento da Internet.
O que traz alento é deparar com outros inquietos, que, como vocês, aparecem aqui para discutir .
Então, meninos, o que acham de levantar mais questões ?
Beijos,
Adriana
P.S.:( Lembro, acho que, do Marcelo Lunière (Ladrões?) dando algo como um ‘curso de férias’, no CEUB . Cheguei a ter aulas com ele — creio que, no início dos anos 90) .
Isso tudo veio daqui.
Exposição Fotográfica “SQSQN a cidade dos meus olhos” de Beto Rocha
na Livraria Cultura-Brasília dia 3 a 30 de abril a partir das 19hs


Fotos © Beto Rocha
O trabalho traz um olhar dialeticamente construído entre luzes e sombras, entre quadras, nas asas de um plano piloto. São traços urbanos, por demais humanos, de uma cidade jardim na pressa moderna de corações exaltados. Monumentos humanizados, espaços setorizados constituem uma fotografia na linha do horizonte, que se perde no infinito do olhar distraído, cruzando a cidade de norte a sul, de sol a céu aberto para o cerrado. Um olhar que experimenta a existência, antes mesmo da essência do existir, como um flâneur a contemplar o moto contínuo da vida na cidade. 20 fotografias de Brasília, levando em consideração o cotidiano mais banal da cidade, nas 4 escalas criadas pelo arquiteto (escalas do monumental – poder -, residencial, gregária e bucólica), onde a imagem é tomada pela luz que determina sua forma, sua concepção, através do contraste entre luzes e sombras, entre cores. Como um Impressionista.
1. Rinaldo Morelli | March 31st, 2009 | 2:37 pm | :
Beto, é um gigantesco privilégio, e responsabilidade, participar da edição de seu trabalho.
As vezes perco a objetividade entre babas que escorrem diante de algumas imagens.
Ainda faremos um livro que faça jus ao seu olhar de cronista.
Poucas imagens pretendem ser sínteses, mas seu trabalho não pode ser resumido.
abcs e parabéns
do amigo e companheiro de muita aventuras
Rinaldo
2. Adriana Paiva | March 31st, 2009 | 3:48 pm | :
Rinaldo, você é curador da expo do Beto Rocha ? Isso ? Conte mais .
Você, aliás, triscou num assunto que muito me interessa.
Lembra do que a Ana Regina Nogueira conta ao Joaquim Paiva em “Olhares Refletidos” ?
Recordo, amiúde , de uma passagem dessas entrevistas: quando ela fala sobre editar o próprio trabalho. De como o olhar dela mantinha-se contaminado pelo recém-registrado e de como ela via ser necessário esquecer os negativos no fundo da gaveta para , mais tarde, experiência “arrefecida” , ela conseguir editar o próprio material.
Todo esse preâmbulo para dizer: padeço da mesma dificuldade de Ana Regina ; não sei editar meu trabalho fotográfico. E, já pedindo perdão, se soar cabotino, sou muito mais exitosa editando o trabalho alheio .
Bem, deixo as reflexões para discussão.
Beijos
3. Adriana Paiva | March 31st, 2009 | 4:02 pm | :
Rinaldo, faltou perguntar: Você sente que “flui” melhor editando o seu trabalho fotográfico ou o trabalho de outros ?
Sua percepção é compartilhada por aqueles que você já “editou” ?
Eu creio nunca ter decepcionado os fotógrafos cujo trabalho eu tenha “editado” - termo que aplico em amplo sentido, claro, já que nunca atuei, profissionalmente, como ‘editora de fotografia’ .
Posso estender a pergunta a você, Claudix ? O que me diz ? Tem suficiente “sangue frio” , distanciamento bastante, para se auto-editar ?
Bjs
4. Wank Carmo | March 31st, 2009 | 6:44 pm | :
Concordo em parte com a amiga Adriana. Não vejo necessidade de deixar os originais por muito tempo na gaveta, para depois sacar o melhor do conjunto, mas vejo como necessidade, visitar os negativos sobre a mesa de luz, por várias vezes, num momento em que as emoções, aquela animação inicial passou. Friamente, para poder analisar melhor o que vai ser mostrado e o que vai para o lixo. Quando fazemos uma seleção radical, desimpregnando a vaidade, do nosso ego, nos sentimos na obrigação de buscar mais e mais, algo que nos emocione realmente. Uma editora de uma agência estrangeira, que andou perambulando por São Paulo à cata de fotografias fenomenais produzidas no Brasil, foi muito eficaz e rigorosa nesse ponto, quando afirmou que no seu alforje só entraria a fotografia que lhe tirasse a exepressão “Uau!” As duas fotos de Beto Rocha não tiram o folego, mas são dignas de irem para qualquer parede. “UAU!”
O trabalho que observo acima, é fruto desta garimpagem cuidadosa, onde a procupação com a qualidade falou mais alto e isto servirá de combustível nao somente para Beto, mas a todos que curtem com a alma, esses fragmentos de vida.
5. Wank Carmo | March 31st, 2009 | 6:48 pm | :
Mais: aí está, a prova da força do instante decisivo, sem “apelações contemporâneas…”
6. Adriana Paiva | March 31st, 2009 | 7:05 pm | :
Boa noite, Wank ! Obrigada por opinar .
Bem, como hoje tenho usado bastante esporadicamente minhas analógicas “Nikon” ( revelando, assim, poucos filmes) , o que tenho achado útil fazer , quando não há deadline a observar, é baixar as fotos em meu notebook, classificá-las e esquecer delas por um tempo . Deixar mesmo a experiência esfriar nos olhos e na memória. Ajuda um bocado .
7. Wank Carmo | March 31st, 2009 | 7:34 pm | :
Boa noite, Adriana!
É sempre uma honra trocar idéias nesta maloca cibernética. Aprende-se. Voce dá um descanso à mente. É mais ou menos o que falei anteriormente. Se eu faço uma foto e acho ela o máximo no moneto do click, hoje eu dou um descanso emcocional para ver se realmente aquela foto é tão legal como eu achava. Depois entra o crivo seletivo radical.
8. Rinaldo Morelli | April 1st, 2009 | 7:03 am | :
Adriana, editar é também uma obra autoral. Depositamos nosso olhar no olhar do outro e fazemos um recorte.
Talvez por isso alguns fotógrafos não gostem que outros editem seus trabalhos…
Eu também tenho dificuldade em editar meu trabalho, é uma das coisas que sinto falta dos tempo áureos do grupo Ladrões de Alma. Fazíamos edições em grupo do trabalho de cada um.
Mais do que isso, acho que uma curadoria encontraria vertentes, caminhos e leituras que o autor não tenha percebido.
É sempre muito enriquecedor.
9. Claudio Versiani | April 1st, 2009 | 7:23 am | :
Editar não é fácil, seja de quem for o trabalho. O que é interesante e didático no processo é o aprendizado com o outro. Descobrir o que o fotógrafo queria dizer e se surpreender é sempre prazeroso. Faz muito tempo eu participei de um workshop na Argentina. O grande Abbas era um dos mestres. Ele simplesmente olhava para a foto e dizia: Funciona! Não funciona! Algo parecido com o UAU do Wank.
Eu gosto muito de editar o meu trabalho, sempre. E sempre descobrir que poderia ter feito um pouco melhor e me esforçado um pouco mais, além de me chatear porque depois de velho ainda cometo erros banais, é do jogo.
Um outro olhar sobre as nossas fotos é bem vindo. Mas o que é legal mesmo é participar de uma edição coletiva. No livro Brasil 500 anos passamos 7 dias, 11 editores e milhares de fotos. Inesquecível! Enriquecedor como escreveu Rinaldo. A troca de experiência é fundamental. Por isso mesmo estamos aqui compartilhando o Beto Rocha. E para fechar, eu digo que as duas funcionam muito bem e digo vários Uaus para elas, principalmente para a primeira.
10. Wank Carmo | April 1st, 2009 | 4:41 pm | :
Falou e disse, Claudio. Me amarro numa ajuda. Não tem coisa melhor do que um olhos mais experiente em cima do trabalho da gente. Eu boto no crivo alheio numa boa.
11. Adriana Paiva | April 2nd, 2009 | 9:27 am | :
Claudio, Rinaldo, Wank,
Quero ler seus apartes com calma para responder mais tarde. Hoje, por aqui, estou mais atarefada do que o costumeiro.
Por ora, digo que assino embaixo daquele verso da música de Paulo Tatit e Arnaldo Antunes :
“O seu olhar, seu olhar melhora, melhora o meu” .
Abraços
12. Adriana Paiva | April 2nd, 2009 | 11:52 am | :
Um pedido (com jeito de anúncio):
Preciso, urgentemente, de um novo exemplar de “Olhares Refletidos”, do Joaquim Paiva . O meu (’antiguinho’) , uma edição do final dos anos 80, está perdido em algum lugar, entre minhas coisas guardadas em Sampa.
Compro usado (desde que me possa ser entregue, urgentemente, aqui, no Rio) . Por favor, ver contatos em meu site.
Obrigada
13. Adriana Paiva | April 2nd, 2009 | 12:50 pm | :
Em tempo:
Um convite a que se conheça melhor o trabalho da fotógrafa Ana Regina Nogueira — cujos depoimentos constam no livro de Joaquim Paiva ‘Olhares Refletidos - Diálogo com 25 Fotógrafos Brasileiros ‘ (Editora Ágil / Dazibao - 1989 ) : http://www.anareginanogueira.com.br/
Não é demais lembrar: Conheci o livro de Paiva (que não é meu parente) e parte da obra de Ana Regina, cursando Introd à Fotog., na UnB. História contada em minha coluna aqui.
14. Usha Velasco | April 2nd, 2009 | 1:07 pm | :
Rá rá rá, eu tenho, você não tem…
Não vendo, não troco nem dou!!! Rá rá rá rá rá….
Mas se você quiser, chuchu, te mando por sedex, depois você me devolve!
15. Adriana Paiva | April 2nd, 2009 | 1:14 pm | :
Usha, meu exemplar (velho companheiro desde unB) está perdido lá em SP — em algum canto, entre caixas e gavetas.
Adorei e agradeço a sugestão do Sedex. Juro: 2Vs.
Beijos !
16. Usha Velasco | April 2nd, 2009 | 1:39 pm | :
As edições em grupo que fizemos nos Ladrões de Alma foram uma verdadeira escola para mim. Isso aconteceu ao longo de quase vinte anos, sendo mais intensivo nos primeiros dez anos, de 1988 a 1998, quando nos reuníamos religiosamente todas as semanas (religiosamente em termos de periodicidade, bem entendido, porque em outros termos… bom, deixa pra lá).
Foi mais que uma experiência riquíssima; na verdade, foi decisivo para a minha formação, não só fotográfica mas também como designer e artista plástica. Um novo horizonte se abria para mim a cada vez que quebrávamos o pau em torno de uma mesa durante horas, com a tarefa de escolher doze ou quinze fotos num conjunto de quarenta ou cinquenta. Digo horizontes num sentido quase literal, porque nossas discussões eram sempre em cima de linguagem fotográfica.
Quais imagens estão fora do tema? Por que esta aqui está dentro e aquela ali não? Essas duas são parecidas, não podem ficar no mesmo conjunto. Tá doido? Uma não tem nada a ver com a outra! Tem sim, olha só isso, aquilo e aquilo outro. Eu prefiro a cópia mais contrastada. Eu prefiro a mais suave. Mas a contrastada enfatiza melhor o clima dramático deste ensaio. Não, a mais suave é melhor porque tem mais detalhe na sombra. Você não pode priorizar a técnica em detrimento da linguagem. Posso sim, porque a técnica também é condicionante da linguagem. Deixa de ser tecnicista! Deixa você de ser porra-louca! Essa foto é forte demais para andar junto daquela outra. Esta aqui é fraca demais para abrir o ensaio. Mas ela é linda! Também acho, mas não para abrir. Desenvolva; se você não desenvolver eu não aceito! Então vamos lá, preste atenção neste enquadramento…
E por aí íamos. Agora fazemos isso muito raramente. Morro de saudades. Mas os Ladrões me tornaram uma boa editora, modéstia às favas, como diz meu amigo Rinaldo Morelli.
17. Rinaldo Morelli | April 2nd, 2009 | 1:54 pm | :
É pena que hoje não se discuta muito linguagem fotográfica…
Beto Rocha era quem dava a disciplina Linguagem Fotográfica no saudoso Centro de Pesquisas Fotográficas do CEUB. Era um curso livre dentro do campus de uma universidade particular aqui em Brasília. Lá na década de oitenta… Muita gente boa passou e/ou nasceu por ali…
Não quero discutir quantidade de pixels. Não quero saber qual é o zoom de sua lente. Nem qual é o flash que sincrorniza, muito o menos quanto custa isso tudo!
Quero ver qual é a poesia que brota em seu sensível, que intermediada pela técnica, chega aos meu olhos, e me toca.
Não quero saber o que seu equipamento faz, quero saber o que você faz com seu equipamento.
Saudade do tempo que se discutia linguagem fotográfica…
18. Adriana Paiva | April 2nd, 2009 | 2:19 pm | :
Usha,
Como eu supunha, sua participação nessa discussão a enriquece ainda mais .
Aproximei-me de você e, depois, do Rinaldo, mas ou menos nessa fase, quando vocês estavam (febris) às voltas com os projetos dos Ladrões de Alma . Lembro como se fosse hoje. Afinal, estive presente em alguns dos eventos (vernissages/exposições) em que esses projetos ganharam corpo.
Guria, genial seu relato sobre as reuniões de cúpula dos Ladrões. E que requinte a reprodução dos diálogos ; me transportei completamente . E ri muito do embate “tecnicistas X porra-loucas” .
Beijos
19. Adriana Paiva | April 2nd, 2009 | 3:24 pm | :
Taí, Rinaldo !
E a Internet não seria um bom lugar para se discutir linguagem fotográfica ? Penso, aliás, que essa seja uma das propostas do Pictura Pixel .
Acho que os fotógrafos brasileiros fazem pouco uso dos espaços de discussão disponíveis na rede . Discussão relevante, quero dizer . Para além de temas como equipamento — ‘”ah, porque a minha [ o ] grava, faz ligações e voa, custou $$$$ e chegou outro dia da BH “… Confesso que esse tipo de “debate” sempre me deixou entediada .
O que eu noto na Internet, desde a febre que foi o Fotolog e, agora, em sites como o Flickr e congêneres, é que as pessoas que fazem fotografia, atualmente, e exibem seu “trabalho” na rede, estão afoitas por mostrar o que produzem (algo cada vez mais fácil ! ) e alucinadas por receber louros por isso. Apenas.
Tenho batido bastante nessa tecla . E o feedback mais relevante, por incrível que possa parecer, vem de não-fotógrafos. Essa indolência intelelectual no meio fotográfico, já me deixava desanimada muito antes do advento da Internet.
O que traz alento é deparar com outros inquietos, que, como vocês, aparecem aqui para discutir .
Então, meninos, o que acham de levantar mais questões ?
Beijos,
Adriana
P.S.:( Lembro, acho que, do Marcelo Lunière (Ladrões?) dando algo como um ‘curso de férias’, no CEUB . Cheguei a ter aulas com ele — creio que, no início dos anos 90) .
Isso tudo veio daqui.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Jean Manzon
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Jean Manzon (Paris, 2 de fevereiro de1915 — Reguengos de Monsaraz, 1 de julho de 1990) foi um fotógrafo francês radicado no Brasil que inovou o fotojornalismo brasileiro.
Começou trabalhando, na França, para as revistas Paris Match, Vu e Paris Soir.
Em 1940, mudou-se para o Rio de Janeiro fugindo da Segunda Guerra Mundial.
Trabalhou como diretor de fotografia e cinema no Departamento de Imprensa e Propaganda do governo da ditadura de Getúlio Vargas com salários bem altos. Tornou-se o fotógrafo preferido de Getúlio Vargas que adorava ver fotos suas publicadas na imprensa internacional.
Em 1943, foi trabalhar na revista "O Cruzeiro", tornando-se parceiro do jornalista David Nasser em uma das mais notáveis e polêmicas duplas jornalísticas da história da imprensa no Brasil. As reportagens que fez em parceria com com David Nasser de 1943 a 1951 foram fundamentais para o sucesso de vendas da revista "O Cruzeiro" cuja tiragem atingiu níveis inesperados para a época. Tornou-se então o mais famoso fotógrafo brasileiro do período entre as décadas de 1940 e 1970.
Inovou o fotojornalismo brasileiro, até então pouco criativo, com novos enquadramentos, "closes" extremos e ângulos bizarros que atraiam a atenção dos leitores.
Suas fotos, ao contrário do que propõe a maioria do fotojornalistas, foram, na maior parte das vezes, posadas. Tampouco tinha preocupação com a veracidade do fato fotografado. Uma vez, alguns monges recusaram-se a ser fotografados para uma matéria jornalística; Jean Manzon chamou dois amigos, vestiu-os com batas, tirou as fotos necessárias e as enviou para a redação, que as publicou como autênticas.
Tinha espírito de aventura e não tinha medo e arriscar-se visitando locais remotos e selvajens do Brasil. Foi um dos primeiros fotógrafos, junto com Henri Ballot e José Pinto, a revelar ao mundo as diversas faces dos índios do Xingu.
Não se vexava em tratar assuntos polêmicos de forma abominável. Em 1945, a dupla David Nasser e Jean Manzon publicou em "O Cruzeiro" uma matéria ilustrada na qual pretendiam ensinar aos brasileiros a distinguir um japonês de um chinês pelo "aspecto repulsivo, míope, insignificante".
Até o início dos anos 1980, era obrigatória a apresentação de documentários em todos os cinemas antes do filme principal. A partir de 1952, Jean Manzon dirigiu e produziu mais de 900 documentários, vários deles a serviço do IPES. A maior parte foi veiculada nos cinemas de todo o Brasil. Durante o período da ditadura militar de 1964, os documentários de Jean Manzon ficaram conhecidos pelos elogios exacerbados que faziam às realizações e obras do governo.
Casou-se três vezes e teve dois filhos.
AFOTO - Associação dos Fotógrafos de Brasília

Foi fundada neste sábado, 28 de março, a Associação de Fotógrafos de Brasília (AFOTO). Estavam presentes cerca de cinqüenta fotógrafos, desde profissionais independentes, amadores, coletivos e fotoclubes de Brasília. A iniciativa surgiu com objetivo principal viabilizar eventos fotográficos, como o Porque eu fotografo?, e batalhar por questões referentes à regulamentação da profissão e direitos autorais.
A diretoria eleita, que exercerá um mandato de dois anos, é composta pelos seguintes fotógrafos:
Presidente: Rinaldo Morelli
Diretor Executivo: Kazuo Okubo
Diretor Financeiro: Carlos Aversa
Diretora de Comunicação: Isabela Lyrio
Diretor de Projetos: Humberto Lemos
Conselho Cultural: Arthur Monteiro, Janaína Miranda e Patrick Grosner
Conselho fiscal: José Rosa, Edgad César e Gisele Porcaro
afotobrasilia@gmail.com
Fotos: Kazuo Okubo
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